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terça-feira, 12 de maio de 2026

I MUSICANTI

Bom, a partir do argumento oferecido pelos irmãos Grimm, coube aos compositores Luiz Enriquez Bacalov e Sergio Bardotti a criação, em 1976, de uma peça teatral musical intitulada I Musicanti.

Na adaptação, o gato e o galo do conto original mudam de gênero.

Dois primeiros frutos do projeto, as canções I-o bao coccodè miao Il mio canto foram apresentadas ao público pelo grupo pop italiano Richi e Poveri no Festival de Sanremo de 1976. No mesmo ano foi lançado um "compacto-simples" com as duas peças.

No mesmo ano, mais dois lançamentos, sempre com as interpretações a cargo dos Richi e Poveri: um segundo "compacto-simples" com as músicas Storia de una gatta e La città dei desideri; e finalmente, um "LP" contendo treze faixas:


 
1  I-o bao coccodè miao

2  L’asino

3  Il cane

4  La gallina

5  Storia di una gatta

6  La città dei desideri

7  Il mio canto

8  L’albergo del buon padrone

9  La battaglia

10  Tutti uniti

11  Acqua acquetta

12  Tutti uniti (reprise)

13  I-o bao coccodè miao

OS SALTIMBANCOS

Pretendo reunir nas próximas postagens algumas informações sobre a obra musical Os Saltimbancos. 

O musical tem como argumento o conto Os Músicos de Bremen, dos Irmãos Grimm.

Recorro à Wikipedia:

Os Músicos de Bremen (em alemão: Die Bremer Stadtmusikanten) é uma fábula recolhida da tradição popular, editada e publicada, pelos Irmãos Grimm, na famosa coletânea de contos que ficaria conhecida como Grimms Märchen (em português, Contos de Grimm), lançada em 1812 (volume 1) e 1815 (volume 2). Mas somente na segunda edição dos dois volumes, feita em 1819, é que "Os Músicos de Bremen" seria publicada pela primeira vez, passando a ser o 27.º conto da coletânea.



Trata-se da história de quatro animais domésticos que, depois de uma vida inteira de trabalho, são maltratados por seus donos. Afinal, decidem fugir para a cidade de Bremen e lá se tornarem músicos. Contrariamente ao que o título do conto faz supor, os personagens nunca chegam a Bremen, pois, durante o percurso, conseguem assustar e afugentar um bando de ladrões, apossando-se do produto dos seus roubos e instalando-se definitivamente na cabana antes ocupada pelos malfeitores.

A história se passa em um vilarejo onde vivem quatro animais domésticos: um burro, um cão, um gato e um galo. Já velhos e considerados inúteis para o trabalho, todos eram maltratados pelos seus donos e estavam mesmo a ponto de ser sacrificados. Decidem então abandonar seus amos e seguir para a cidade Bremen, com a intenção de conquistar a sua liberdade e se tornarem músicos profissionais.

No caminho para Bremen, anoitece e os animais avistam uma casa com as luzes acesas. Espreitam pela janela e, lá dentro, veem ladrões desfrutando do produto de seu roubo. Inocentemente, não percebem que se trata de ladrões e, apoiados nas costas uns dos outros, decidem cantar, na esperança de serem alimentados. A sua 'música' tem um efeito inesperado: os homens fogem, não sabendo a origem de tão estranho som. Os animais tomam posse da casa, comem uma boa refeição e dormem.

Durante a madrugada, os ladrões regressam, e um deles entra na casa para investigar o que se passa. Ao ver os olhos do gato brilhando no escuro, imagina que sejam brasas e inclina-se para acender sua vela. Numa rápida sucessão de acontecimentos, o gato arranha-lhe a cara, o burro dá-lhe um coice, o cão morde-lhe as pernas, e o galo afugenta-o porta fora, a bicadas e cacarejando. O homem, assustado, reúne-se com seus comparsas e conta-lhes que foi atacado por monstros: uma bruxa horrível, que o arranhou com as suas enormes unhas (o gato), um fantasma gigante, que lhe deu uma paulada (o burro), um ogro diabólico, que o esfaqueou e arranhou suas pernas (o cão) e, o pior de tudo, - um juiz lhe deu marteladas enquanto gritava "Prendam esse patife" (o galo).

Os ladrões abandonam a casa, aterrorizados. Acreditaram que seria impossível voltar à cabana e recuperar o dinheiro que haviam escondido lá, já que o local era agora ocupado por um exército de assombrações monstruosas e impiedosas. Decidiram que seria melhor partir e nunca mais voltar àquele lugar. E foi o que fizeram, naquela mesma noite, e nunca mais ninguém os viu.

O burro, o cachorro, o gato e o galo sentiram-se tão bem-instalados naquela cabana que decidiram ficar por lá mesmo, desistindo de seguir até Bremen. Logo encontram a fortuna que os ladrões haviam escondido num buraco da parede e assim puderam viver uma vida confortável por muitos e muitos anos. Envelheceram felizes, com dignidade e companheirismo entre eles.[1]

Simbologia

Os personagens representam as classes sociais da época: enquanto os proprietários dos animais simbolizam os senhores feudais, proprietários de terras, os animais representam os trabalhadores submetidos ao regime de servidão, que predominou na Alemanha até o século XVIII. A escolha da cidade de Bremen como lugar de conquista da liberdade, justifica-se: desde a Idade Média, Bremen, assim como 70 outras grandes cidades e mais de cem cidades menores, formavam a chamada Liga Hanseática, uma aliança de cidades mercantis alemãs que cresceram e prosperaram independentemente da economia feudal circundante; por isso, acabaram também por conquistar uma relativa autonomia política com respeito à autoridade feudal rural.[2] Lá não existia feudalismo, nem relação de vassalagem. [3]

Existe uma hipótese segundo a qual, na primeira versão da história, escrita pelo irmão mais novo, Wilhelm, os personagens eram quatro camponeses que se revoltavam contra seus senhores e o regime de servidão a que estavam submetidos (lembrando que esse regime persistiu, na Alemanha, até o final do século XVIII). Talvez por autocensura, o irmão mais velho, Jacob, decidiu transformar a história numa fábula, convertendo os camponeses em animais.

A cidade de Bremen - aonde, segundo a fábula, o grupo nunca chegou - recorda "Os Músicos de Bremen" com um monumento de bronze, erigido em 1953, diante da Câmara Municipal.


 

sábado, 26 de julho de 2025

 Passarim

Seguindo a ordem alfabética, esta é a ultima peça do repertório selecionado.

Como já abordado quando falei da Abertura, Passarim também faz parte de uma trilha sonora. No caso, para a minissérie O Tempo e o Vento, baseada na obra de Érico Veríssimo.

A composição constitui-se em perfeito exemplo da fase "ecológica" de Jobim. Sobre a letra da música, também de Jobim, encontrei esta breve análise que reproduzo parcialmente abaixo:

A canção 'Passarim' de Tom Jobim é uma obra que reflete sobre a melancolia, a perda e a busca incessante pela felicidadeA letra utiliza a metáfora de um pássaro que tenta pousar, mas é constantemente impedido, seja por tiros que o ferem ou por outros obstáculos que o fazem continuar voando.

A composição foi registrada fonograficamente em 1985 no LP O Tempo e o Vento, com a participação de Danilo Caymmi e coro.

Entretanto, o arranjo no formato proposto para nossa formação aparece no álbum Passarim, lançado em 1987 pela gravadora Polygran Discos.

Acompanham o compositor os vocais de Ana Lontra Jobim, Elizabeth Jobim, Maucha Adnet, Paula Morelenbaum, Paulo Jobim e Simone Caymmi.



https://open.spotify.com/intl-pt/track/2ILOybKqfaoqpqhRXRrnfN?si=f63e0bc9a9c14a3d

Encerro esta série de posts esperando haver disseminado o vírus de minha febre jobiniana. Não tenho vontade de me curar...

Agradeço sinceramente a atenção.


sexta-feira, 25 de julho de 2025

Olha Maria 

Vivendo e aprendendo. 

Não sabia que Olha Maria tinha "nascido" com outro nome. Pois bem, a informação consta do livro A Harmonia de Tom Jobim, de Carlos Almada, já citado previamente: 

Originalmente instrumental e intitulada Amparo, a canção que seria depois renomeada como Olha Maria foi composta em 1969 como parte da trilha sonora do filme The Adventurers, de Lewis Gilbert.

De fato, investigação adicional chegou à evidência material: LP lançado em 1970 pela Paramount Records. Sob o nome de "Dax & Amparo (Love Theme)" encontra-se a futura Olha Maria. Compartilha o berço outra composição famosa de Jobim, Chovendo na Roseira, aqui ainda batizada de Children's Game. Os arranjos e regência são de Eumir Deodato.


Na mais pura tradição de Catulo da Paixão Cearense, "Dax & Amparo (Love Theme)" foi rebatizada após receber letra em português, concebida por Vinícius de Moraes e Chico Buarque.

O primeiro registro fonográfico da agora Olha Maria aparece no LP  Construção, de Chico Buarque (1971).


Já se ouve neste álbum o arranjo que serviu de base para a orquestração que iremos executar. É muito interessante notar a diferença entre os arranjos, que diferenciam um "love theme" de um pungente testemunho do fim de uma relação amorosa.


quarta-feira, 23 de julho de 2025

 Gabriela

De maio a outubro de 1975, a TV Globo exibiu a telenovela Gabriela, adaptação do romance Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado.


A novela, grande sucesso de audiência, contava com Sônia Braga e Armando Bógus  como principais protagonistas. A música tema, Modinha para Gabriela, de autoria de Dorival Caymmi,  tornou-se muito popular na interpretação de Gal Costa. Abaixo, imagem do LP lançado pela Som Livre com a trilha sonora da produção.


O sucesso da novela, a sensualidade da trama, e a popularidade de Sônia Braga estimulariam a adaptação, desta vez para um filme, de outra obra literária de Jorge Amado: Dona Flor e Seus Dois Maridos. A produção de 1976, dirigida por Bruno Barreto, que assina o roteiro adaptado, contava ainda com trilha sonora de Chico Buarque e Francis Hime, da qual se destaca a composição O que será, interpretada por Simone (sobre isso não falarei mais, tendo em vista o alto risco de contágio...).

A aposta deu certo: com mais de 10 milhões de expectadores, o filme manteve-se por 34 anos como recordista de público do cinema brasileiro até ser suplantado em 2010 por Tropa de Elite (o que, para mim, ajuda a explicar os rumos de nosso país).

Cito toda essa história, com todas as referências para explicar que, em 1983, o cinema brasileiro dobrou a aposta: contando mais uma vez com a agora consagrada Sônia Braga, o diretor Bruno Barreto adapta o roteiro e dirige o filme Gabriela. A presença do astro Marcello Mastroianni no papel de Seu Nacib, par romântico de Gabriela, é claro indicador das ambições internacionais da produção.


Aqui chegamos finalmente ao ponto. Coube a Tom Jobim a trilha sonora do filme Gabriela. A gravação, pela RCA Records contou com a participação de Gal Costa e arranjos e regência de Oscar Castro Neves:


Eis as faixas da trilha sonora:

Chegada dos Retirantes

Tema de Amor de Gabriela

Pulando Carniça

Pensando na Vida

Casório

Origens

Ataque dos Jagunços

Caminho da Mata

Ilhéus

Tema de Amor de Gabriela (versão completa) 

Em 1987, contudo, Tom Jobim rearranja os temas acima e os registra no disco Passarim (Verve Records). Este arranjo é o que serviu de base para a orquestração que vamos tocar.


No arranjo, Jobim, além de apresentar os temas principais da trilha sonora de Gabriela, acrescenta outros temas, como Boto, Berimbau, e Na Corda da Viola, resultando no que avalio ser uma declaração de amor ao Brasil.



terça-feira, 22 de julho de 2025

 Falando de Amor

Falando de Amor é uma composição de 1978, com letra e música do próprio Tom.

A composição foi iniciada no Hotel Adams em Nova Iorque, onde Jobim passava lua de mel com sua segunda esposa, Ana Lontra Jobim. A informação consta de artigo no site Lyrical Brazil, baseado no livro Tom Jobim: Histórias de Canções de Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira.



Falando de Amor consta do álbum Miúcha 7 Tom Jobim vol. 2, de 30 de novembro de 1978.


É efetivamente uma declaração de amor e um pedido de correspondência. Um choro-canção em modo menor em forma A-B-A, conforme destacado por Carlos Almada (A Harmonia de Jobim) calcado "em uma espinha dorsal de sonoridades diminutas".

Há uma gravação do próprio Tom com arranjo muito próximo ao que vamos tocar.

https://open.spotify.com/track/3iIqvbmF2kVgRf8C9xdrKS?si=oEajTwVnTpaeInJuit_CfA

domingo, 20 de julho de 2025

Derradeira Primavera

Chegamos então à decana de nosso repertório. Derradeira Primavera foi composta em 1962 e é fruto da parceria de Tom Jobim com Vinícius de Moraes. Excelente oportunidade para comentar um pouquinho sobre esse feliz encontro para a música popular brasileira.

Tom e Vinícius foram apresentados por um amigo comum, Lúcio Rangel, em 1956. Na ocasião, Vinícius estava envolvido com a montagem de sua peça teatral Orfeu da Conceição, que havia escrito em 1954. Coube a Tom Jobim a trilha sonora, que foi gravada em 1956, em "alta-fidelidade" pela Odeon.

A capa, linda e atual, é o que é: um porta-jóias. Merece um merchandising: o álbum encontra-se disponível no Spotify, com as seguintes faixas:
  1. Ouverture (peça orquestral)*
  2. Monólogo de Orfeu (sobre a Valsa de Eurídice)
  3. Um nome de mulher 
  4. Se todos fossem iguais a você 
  5. Mulher, sempre mulher 
  6. Eu e o meu amor
  7. Lamento no morro 

*inevitável pensar em Villa-Lobos...

Bom, a partir deste início fulgurante, a parceria e a amizade Tom-Vinícius permaneceu fecunda, constituindo-se em uma das pedras fundamentais da Bossa Nova, com composições como Garota de Ipanema, Corcovado, Samba do Avião, Ela é Carioca, Insensatez, e Eu sei que vou te amar. Talvez sejam essas as composições que mais imediatamente vêm à memória quando falamos de Tom Jobim.

Mas, foco, cidadão, o assunto é Derradeira Primavera. 

Após uma introdução, digamos, alegre e ensolarada de 8 compassos alicerçada em acordes de Dó Maior com sétima maior e Ré menor com sétima, o clima se transforma, e uma atmosfera de melancolia se instala. Estamos diante do término de um relacionamento, de um lamento profundo pela perda. Letra e música unidas para a expressão de sentimento profundo de tristeza. Pungente.

Com vocês, mais uma vez, Nana Caymmi. O arranjo, conduzido por Mário Adnet é muito próximo ao que iremos executar.

https://youtu.be/nkapOU-Cu7g

CQD